Início > Principal > A CRISE DO SUBPRIME E O RISCO DE SAÚDE GLOBAL

A CRISE DO SUBPRIME E O RISCO DE SAÚDE GLOBAL

25 de junho de 2009

Um dos perigos decorrentes da atual crise de créditos está intimamente associado ao ciclo desemprego-depressão. Neste particular relembro que entre 1910 e 1930 houve um acréscimo no consumo de produtos derivados de tabaco, e em particular de cigarros, da ordem de 11 vezes!

Há outras características neste aumento exuberante, em meio a crise de 29, incluída aí a propaganda aliada ao marketing e uma rede iniciando a sua capilarização além das pobres políticas de controle existentes a época. Todavia há regiões do planeta onde todas estas condições se encontram e remetem a década de 30.O consumo de derivados de tabaco encontra-se em curva ascendente nas regiões da Ásia e nos países em desenvolvimento,notadamente o continente africano e região dos BRICs(Brasil, Rússia, Índia e China). O total de fumantes no mundo,segundo dados do Banco Mundial, atinge hoje a cifra de 1,1 bilhão, dos quais, 72 %( 800 milhões), concentram-se em países em desenvolvimento. O resultado são as atuais 5 milhões de mortes por doenças causadas pelo tabaco,das quais 50% já ocorrem nestes países em desenvolvimento.

Em alguns destes locais o preço do cigarro é altamente atrativo por ausência absoluta de regulamentação e de planos que abordem o risco envolvido ao tabaco.A china hoje é o grande mercado e a menina dos olhos da indústria,não apenas pela provável demanda e pelas circunstâncias expostas acima,mas também por ser um grande ,se não o maior centro global de distribuição de cigarros, e portanto gerando conseqüências danosas por todo o planeta.

A America do sul também se encontra em uma situação delicada, apesar de avanços notáveis, sobretudo no Uruguai.Mas a situação do Brasil é no mínimo considerada de risco,aplicando-se metodologia de análise preliminar de perigo(Hazop).Há hoje 11 fábricas de cigarros,autorizadas a operarem no Brasil,incluindo as autorizadas a operar por ordem judicial, que pagam impostos.Entretanto, o Cigarro no Brasil é o quinto mais barato do mundo, e isso contribui para o consumo sobretudo entre adolescentes.Outro viés é que no vizinho Paraguai,com uma população equivalente a 2,5% a população do Brasil,há mais de 30 fábricas.O preço médio de um maço de cigarro no Paraguai está por volta de US$ 0,10 e no Brasil US$ 1,5.Isso favorece a existência de corrupção e de contrabando na tríplice fronteira,viola o direito humano a saúde e contribui sobremaneira com a poluição tabágica ambiental,aumentando em contrapartida os custos de saúde e depletando o orçamento público.São portanto questões que estão completamente distantes das metas do milênio e do pacto global das Nações Unidas e colocam em risco a existência de uma economia global sustentável e inclusiva.

É exatamente neste cenário que estamos inseridos: Há uma crise global,ocasionada pela concessão com critérios inescrupulosos de créditos ao segmento “subprime americano” e que vem, a medida que a demanda mundial de produtos caem,ocasionando desemprego em todo mundo,sendo,300.000 e 100.000 na Rússia e no Brasil,respectivamente, apenas em janeiro último.Na semana passada, mais 4.000 perderam seus postos, em São José dos Campos-SP,com grande repercussão na mídia nacional.Concomitantemente a estes fatos, é inerente a chance de abatimento pessoal e a possibilidade de registrarmos um aumento no consumo de derivados do tabaco,principalmente de cigarros.Coloca-se em risco não apenas a economia e a arrecadação tributária,mas a saúde das pessoas, pois teremos menos contribuintes, a possibilidade de adoecimento,a curto e a longo prazos, e maiores gastos do erário.

Neste ínterim, temos uma lei federal com sério viés a respeito da proteção ao tabagista passivo,cujo ajuste,que deveria acabar com os fumódromos, encontra-se engavetado, e portanto parado há mais de 1 ano na casa civil, aguardando,sabe-se lá o que,para ser enviado ao Congresso Nacional.Há 2 projetos neste momento em tramite:

1.O do Senador Acreano Tião Viana, contra os fumódromos , e portanto, de acordo com o PNCT(Plano Nacional de Controle ao Tabagismo), que estabelece proteção a TODOS dos riscos do tabagismo passivo;

2.E um segundo projeto,de autoria do Senador Romero Jucá de Roraima, que defende a manutenção dos fumódromos.

Há evidência científicas o bastante, que provam que os fumódromos, ou áreas reservadas para a prática do fumo, não protegem ninguém dos riscos do tabagismo passivo. Apenas para se ter uma idéia,fuma-se de duas maneiras:através do filtro do cigarro(corrente primária),e através da queima espontânea,fumaça que não passa pelo filtro e denominada corrente secundária.A concentração de Nicotina na corrente secundária é no mínimo 4 vezes maior e alguns cancerígenos alcançam cifras 789 vezes maiores!Os espaços reservados para a prática do fumo em lugares públicos coloca em risco o não fumante passivamente e o tabagista ativo duas vezes(passiva e ativamente!).Não pode caber dúvidas a respeito de qual projeto é de interesse a proteção a vida do cidadão.

Estamos sendo remetidos a década de 30 do século passado:Ineficiência nos mecanismos de proteção;risco pleno de aumento no consumo,dado as conseqüências da crise econômica, e iminente chance de dano a saúde pública.

Há indiscutivelmente, necessidade de medidas legislativas e econômicas mais eficazes que possibilitem o controle do tabaco e ao resguardo do direito universal a saúde de todos os brasileiros:tabagistas ou não.E isso se aplica ao envio ao congresso e a aprovação do projeto para ajuste necessário da lei anti tabagista atual.Do contrário,corremos risco de permanecer em 1930…

Dr. Marcos Nascimento,MD.

http://www.pulmaosa.com.br

%d blogueiros gostam disto: