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Gripe Suína:Editorial a respeito da situação.

18 de julho de 2009

Chamamos a atenção para dois fatos:
1. O Ministério da Saúde tem feito comentários a respeito da situação da Gripe Influenza A,dizendo que a situação está sob controle,dada a mortalidade mundial estar baixa,ou similar a gripe sazonal(gripe comum).O respaldo para isso se dá possivelmente no índice de mortalidade encontrado principalmente nos Estados Unidos e nos demais países do hemisfério norte.Isto pode ser verdade,porém está lamentavelmente se apresentando como uma meia verdade.Em toda infecção deve se considerar características tanto em relação ao agente agressor,no caso aqui o vírus H1N1 e características relacionadas ao hospedeiro.Se não,vejamos:a)A população americana(hospedeira), tem índice de educação muito acima da média mundial;b) O sistema de saúde americano e a vigilância sanitária é organizado o suficiente, e a população,inclusive a considerada de risco para a gripe(portadores de DPOC,hipotiroidismo,diabéticos,gestantes,etc.),encontra-se vacinada e portanto, apresenta um nível de proteção bastante considerável;c)Independente de ser gripe suína ou a influenza sazonal,TODOS os pacientes estão sendo tratados com os antivirais oseltamivir ou Zanamivir.Ou seja, estão tratando a Síndrome Gripal, e não esperando o diagnóstico de confirmação para gripe suína,via PCR, para iniciar o tratamento- O que nos parece o adequadamente correto em situações epidêmicas.

Estaria nestes motivos a baixa mortalidade? Ou devemos continuar atribuindo a baixa mortalidade apenas as características virais, esquecendo em contrapartida as características do hospedeiro?
2. O Hemisfério sul encontra-se em pleno inverno e as temperaturas mais baixas estão favorecendo a replicação e, em concomitância, a disseminação dos vírus influenza sazonal, e também à do epidêmico Influenza A/H1N1.Registra-se,até o presente momento, alta mortalidade na Argentina(4,48%),que inclusive esta semana, ultrapassou o México em números absolutos de óbitos.
Já há registros pela própria Organização Mundial de Saúde(OMS), de resistência ao antiviral Oseltamivir em Hong Kong,no Japão e na Noruega,o que confere ao vírus um poder de adaptação e mutação rápida, e explica,aliada a grande circulação mundial de pessoas, o porquê desta gripe estar se espalhando em velocidade sem precedentes,em comparação com as pandemias anteriores.Veiculou-se ontem a informação de que Argentinos estão comprando antivirais no Uruguai,sem prescrição médica, outro fato que pode contribuir para o aparecimento de resistência aos medicamentos disponíveis para o tratamento desta virose.Foi exatamente “a preocupação com relação a possibilidade de resistência,” que fez o Ministério da Saúde do Brasil declarar a semana passada que só iria tratar os casos graves ou aqueles pacientes considerados como pertencentes aos grupos de risco( gestantes,obesos,portadores de doença respiratórias crônicas, imunossuprimidos,etc.).Apenas estes deveriam receber o tratamento com o Tamiflu®(oseltamivir).Este ato, deixa o médico numa situação de risco, uma vez que a decisão de prescrever o tratamento trata-se de ato exclusivo deste profissional,além da definição de “caso grave”poder não ser clara.
Gostaríamos de salientar que o tratamento só é eficaz se for iniciado nas primeiras 48 horas do início da manifestação dos sintomas. É apenas nesta faixa exígua de tempo, que o antiviral consegue reduzir significativamente a incidência de gripe durante um surto na comunidade e evitar que advenham complicações. Portanto, se o tratamento for postergado não se consegue alterar o curso da doença. Na Argentina, atribui-se que a mortalidade está sendo maior porque as autoridades sanitárias, tal qual a contrapartida brasileira, decidiram também não tratar todos os pacientes, como tem sido feito no Canadá e, nos já citados, Estados Unidos.Dada a dificuldade inicial em se perceber qual caso evoluirá de maneira grave,defendemos o tratamento para todos os casos de gripe.
Preocupa-nos a questão do tratamento, já que o vírus está circulando livremente no país, e isto é a marca registrada da nossa fase epidêmica. Passaremos a partir deste momento, a ter dificuldade para realizar o diagnóstico apenas com a clínica, uma vez que “perdemos” a pista epidemiológica!Este fato, por si só, enfatiza, e nos motiva a defender:

1. A necessidade de se tratar a síndrome gripal,dado os motivos explicitadoa acima;

2. Continuar a realização de método complementar para o diagnóstico, para Todos os casos suspeitos, pois apenas assim, poder-se-á discernir entre as gripes Suína/Influenza A, e a gripe sazonal comum.

3.Recomendamos vacinar contra a gripe sazonal,pois pode ser possível haver  uma reação cruzada conra o H1N1 e gerar proteção.

O intuito deste balanço é contribuir com as autoridades sanitárias do país e lançar luzes sobre a discussão a respeito da atual pandemia de gripe influenza A, neste momento crucial para a saúde pública mundial.

Fontes:
CDC- Epidemiology and Surveillance Section;
Organização Mundial de Saúde-Current Situation;
Immunization Services Division, National Center for Immunization and Respiratory Diseases, Atlanta, Georgia;
Ministério da Saúde da Argentina;
Ministério da Saúde do Brasil;

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