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Segundo Editorial a Respeito da Gripe Suína/Influenza A

7 de agosto de 2009

Desde o início desta epidemia de Gripe H1N1, o governo vem alegando que a letalidade, primeiramente, e agora a mortalidade, é menor que a da gripe sazonal (Influenza comum).

Começamos esta epidemia com 12.000 tratamentos, segundo dados do Ministério da Saúde contra números americanos de menos 2 milhões de tratamentos disponíveis.Logo após, o Ministério veio a público dizer que já possuía 18.000 tratamentos.

A Espanha declarou a poucos dias que dispunha de tratamento para pelo menos 60% de sua população…

Optou-se  então,por tratar os casos graves, o que na nossa opinião, e na de diversos especialistas, é um disparate, pois o antiviral disponível Oseltamivir,possui sua ação máxima, apenas nas primeiras 48h do seu uso.Os casos que temos atendido,mostram-se idênticos aos casos iniciais vistos no México, e que podem ser encontrados em trabalho publicado na revista New England Journal of Medicine.O estudo e o que temos percebido, mostra que o pacientes tem evoluído com uma pneumonia multi lobar( atingindo várias divisões pulmonares), bilateralmente,conduzindo o paciente a uma síndrome de angustia respiratória aguda(SARA), ocasionada pela reação inflamatória do organismo em resposta ao ataque viral.

Este vírus H1N1 não é igual ao sazonal.O sazonal possui tropismo pela garganta e pelo nariz.

Este H1N1/Suíno/Influenza A, possui além da garganta e do nariz, tropismo pelo pulmão, sendo capaz de provocar não só uma pneumonia secundária por outros agentes bacterianos,como o “Streptococcus pneumoniae”(pneumococo),mas ele mesmo tem ocasionado uma pneumonia viral, que se caracteriza por uma alveolite (inflamação dos alvéolos-unidade funcional do pulmão),associado a uma vasculite (inflamação dos vasos que servem aos alvéolos, e portanto, são responsáveis por “pegar” o Oxigênio do alvéolo e “levá-lo” via corrente sanguínea para as outras células do organismo).Este fenômeno chama-se Ventilação- Perfusão.É aí que o vírus bombardeia.

Faz um ataque maciço numa unidade fundamental a nossa logística, a nossa sobrevivência. Comparando, é como se bombardeasse uma usina de energia como Itaipu binacional, ocasionando não apenas destruição local (Pulmão), mas destruindo toda a logística de produção e de distribuição de energia para todo o País ( organismo como um todo).

Por isso, precisamos de armamento moderno, com tecnologia de ponta, tal qual os mísseis “Patriots” que destruíam os mísseis “Scuds,” antes mesmo de estes chegarem ao solo e aniquilar as unidades fundamentais (alvéolos).

Por esta razão, a nossa defesa incondicional, a partir da circulação livre do vírus H1N1 no Brasil, fato que decretou a perda da pista epidemiológica ( de quem vinha de fora do país, de uma região endêmica), de que se trate não apenas aqueles com uma gripe com evolução grave.E sim, TODOS portadores da Síndrome gripal( que portam sinais e sintomas condizente com todas as gripes),logo no início, na eficácia máxima da droga.

Como toda situação crítica, esta, emite alguns sinais de alerta que nos preocupam e nos fazem questionar a “baixa letalidade” que vem sendo apregoada.Se não vejamos:

Manda-se o Exército para fronteira do RS com os países limítrofes (Isto nunca aconteceu em uma epidemia de gripe sazonal);

Inicia-se com três laboratórios fazendo diagnóstico, e amplia-se para mais dois, os Lacens do Paraná e do Rio Grande do Sul, com contratações extra-concursos de funcionários, que estão sendo treinados ás pressas;

Retira-se um medicamento[ Oseltamivir (Tamiflu® ) ], aprovado pelo órgão regulador de circulação (Anvisa), das farmácias e concentra-se a sua distribuição;

Opta-se por tratar inicialmente apenas os casos graves, contra um dogma farmacológico, que determina o início do tratamento nas primeiras 48 horas!

Alega-se uma letalidade (índice de acompanhamento inicial) inferior a da gripe sazonal e depois muda-se o índice para mortalidade, quando aquele começa a se elevar…

Estamos diante de uma pandemia mundial que nos pegou literalmente de cobertor curto num inverno rigoroso. Faz-se necessário lembrar que temos vários países num só. Não apenas devido às diferenças climáticas, que propicia também maior possibilidade de “sobrevivência viral” como nas regiões mais frias, quer sejam os estados da Região Sul e os do Sudeste,onde dever-se-á registrar maio número de casos, mas também de hospedeiros diferentes em seu estado de proteção imunológica.

E aqui, não me dirijo apenas a faixa etária,mas também ao estado nutricional do hospedeiro, resumido naquela frase do economista Beluzo, salvo engano, de que o Brasil é uma Belíndia (Bélgica + Índia).

Precisamos a todo custo evitar que esta confusão nos conduza ao ocorrido na epidemia de meningite na década de 1970, a maior epidemia de meningite da história do país, ocorrida em São Paulo, e onde a omissão fertilizou terreno para o avanço da doença, que atingiu todos os bairros da capital do estado e chegou a registrar a média de 1,15 óbitos por dia!

A quebra do Protocolo do Ministério promovida pelo Hospital São Vicente em Passo Fundo-RS, denominada por nós, da PULMÃO S.A como “Passo Firme e Fundo,” foi uma primeira reação em direção a luz no final deste túnel provocado pela epidemia, mas sedimentado pelos vieses de atitudes observados por parte de quem deveria estar nos conduzindo de uma maneira mais sensata.

http://www.pulmaosa.com.br

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