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“Licções” do Passado a respeito das Pandemias que podemos aplicar no presente…

10 de agosto de 2009

Muito vem se falando sobre a atual pandemia do novo vírus H1N1.E há artigos os mais diversos.Sabemos que no Século XX  houve pelo menos três grandes epidemias, com destaque para a mãe de todas elas, a Gripe Espanhola de 1918. Apesar de cada momento epidêmico ter sido marcado pelas suas próprias particularidades, é importante não esquecer os ensinamentos que emergem de epidemias e pandemias anteriores.

A PULMÃO S.A, resolveu inspirada nas lições ou LICÇÕES” do passado explicar o porquê de algumas medidas executadas ainda nos dias de hoje.

Disseminação Viral

Nesta nova epidemia houve uma disseminação recorde do vírus H1N1.Parte disto se deve aos meios de comunicação existentes e as interconexões entre as cidades, sobretudo devido ao transporte aéreo.Enquanto em 1918, na epidemia da Gripe Espanhola o vírus influenza, que por sinal também era um H1N1, levou seis meses para atingir todos os continentes, este novo vírus H1N1 de 2009, levou apenas seis semanas para cumprir tal missão.Isto porque em 1918,“apenas Santos Dumont” andava de avião, e hoje temos milhares de vôos por todo o planeta. A outra razão é que este vírus influenza A adquiriu uma capacidade de infectar as pessoas de uma maneira suis generis. Através do processo de mutação viral, adquiriu não só a capacidade de alojar em reservatórios animais (porco: onde houve possivelmente a troca de fragmentos de RNA de três sorotipos de vírus diferentes- Ave, Suíno e Humano, constituindo este “novo” H1N1), como também a “habilidade” potencial de ser transmitido entre os seres humanos.Estas duas características são necessárias para que um vírus tenha sucesso, se nos permitem a expressão, pandêmico.Faz-se necessário não apenas o potencial para provocar epidemias ,que os vírus oriundos da ultrapassagem da barreira entre espécies apresentam,mas também que tenha ou que a ele seja oferecida condições de contágio rápido,condição esta obtida pelo sistema de transporte aéreo.

Advém, portanto deste contexto a necessidade de um controle eficaz em portos, aeroportos, rodoviárias e fronteiras.

Medidas de Exclusão Social:

Aqui entramos numa seara de críticas por parte de alguns pais e mesmo por parte de alguns especialistas no que diz respeito a medidas como adiar o retorno às aulas e evitar locais com aglomeração de pessoas.

As “Licções” do passado nos revelam que em 1918, a Filadélfia, cidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, registrava taxas bem maiores de mortalidade por gripe espanhola do que St. Louis, no Estado do Missouri.

Estudos revelaram ‘a posteriori’ explicação plausível: A Filadélfia, notificou seu primeiro caso de “Gripe Espanhola” no dia 17 de setembro, mas fora autorizada a realização de paradas ou desfiles municipais, mesmo já se sabendo que havia caso registrado na cidade, propiciando a aglomeração de pessoas, no dia 28 de setembro.As Escolas e reuniões públicas foram fechadas e proibidas, respectivamente, apenas no dia 3 de Outubro.Portanto somente duas semanas após a comunicação do caso índice.

Em comparação, em St. Louis, onde os primeiros casos ocorreram em 5 de Outubro, optou-se por medidas de distanciamento social imediatamente em 7 de Outubro. Como resultado, o pico superior semanal de registro de mortes por pneumonia e gripe entre 8 de Setembro a 28 de Dezembro/1918, na Filadélfia foi  8,3 vezes maior em comparação com o de St. Louis (1). Um inquérito que analisou as respostas de 17 cidades americanas durante a pandemia de 1918, concluiu que a aplicação antecipada de medidas não farmacêuticas, como o isolamento social,medidas de adiamento do período de retorno escolar ou interrupção das aulas e aconselhamento para que se evite aglomerações, reduziu as taxas de mortalidade em pelo menos 50% (1).

Como uma licção” importante para a aplicabilidade imediata, é indispensável que apreciemos o valor das intervenções não farmacológicas durante os surtos. Nós podemos salvar muitas vidas se mantivermos um elevado índice de suspeição clínica em pessoas com exposição ocupacional ou casual para os animais,os quais apresentam potencial zoonótico,como os porcos,servido de alerta para que passemos a monitorar profissionais que trabalham em granjas de porcos ou aves,como as existentes em alguns locais no Brasil,como São José do Vale do Rio Preto no Rio de Janeiro e em cidades de Goiás e Santa Catarina,onde se alojam nossos principais criadores e exportadores.

A segunda medida é aplicar rapidamente medidas de distanciamento social, como evitar locais públicos e o afastamento das aulas.Esta última se justifica também porque este vírus influenza A/H1N1(2009), é capaz de promover transmissão um dia antes dos sintomas surgirem até 7 dias após ( para adultos) e até 12-14 dias( para as crianças).Foi esta razão que motivou a PULMÃO S.A. procurar algumas escolas em Curitiba-PR e emitir alerta.

Estas duas ações são altamente produtivas, especialmente durante as fases iniciais de um surto, quando encontra-se limitada a informação sobre as características biológicas do patógeno. É então que um alerta médico pode fazer uma grande diferença.

REFERÊNCIAS:

(1)    Hatchett RJ, Mecher CE, Lipsitch M. Public health interventions and epidemic intensity during the 1918 influenza pandemic. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007;104:7582-7. [PMID: 17416679].[Abstract/Free Full Text]

(2)    CDC –USA- Center for Diseases Control;

(3)    Annals of internal Medicine – Adapted from,

(4)    PULMÃO S.A. Sua Atmosfera, Sua Vida! Também disponível no Twitter.

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