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DPOC: Reabilitação Pulmonar

28 de agosto de 2009

Em nossos últimos artigos publicados sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), temos abordado tratamentos envolvendo medicações inalatórias. Hoje, trataremos sobre uma das medida essencial e de grande valor terapêutico: a reabilitação pulmonar.

Segundo dados da literatura, a gravidade do DPOC pode ter como um dos principais parâmetros a intolerância as atividades físicas que uma pessoa desenvolve em seu cotidiano. Em determinados casos, doenças classificadas como moderadas pela prova de função pulmonar (=espirometria) podem  refletir grande intolerância aos esforços independentemente da classificação espirométrica.

O DPOC, além das manifestações respiratórias, tem também como uma de suas principais características  a fadiga muscular devido ao metabolismo alterado das células musculares. As mesmas permanecem em um estado inflamatório persistente com limiar de catabolismo aeróbico reduzido isto é, diferentemente de uma pessoa saudável, elas não toleram exercícios repetitivos como caminhar.

Ao invés de realizarem seu metabolismo usando só o  oxigênio(O2) usualmente no metabolismo aeróbio,não conseguem pelo simples fato deste estar pelo acomentimento da patologia escasso, visto que são portadores de doença pulmonar obstrutiva.

Acabam por utilizar outras formas de substrato,via metabolismo anaeróbio, e produzir ácido lático em excesso levando os pacientes a um fadiga muscular precoce, ocasionando uma disfunção muscular.

REABILITAÇÃO PULMONAR X DISFUNÇÃO MUSCULAR

A reabilitação pulmonar serve  justamente para compensar esta disfunção muscular atuando de 2 modos: o primeiro é alterando a bioquímica muscular tornando a musculatura de todo o corpo mais resistente as atividades físicas. Em consequência, há redução da produção de ácido lático o que num segundo plano, conduz a uma redução da necessidade de maior ventilação pulmonar poupando os pulmões já doentes.

Outro grande benefício da reablitação é a mudança comportamental dos pacientes. Muitos acabam por apresentar comportamento depressivo e a sensação de dispnéia é persistente apesar de muitas vezes esta não ocorrer de fato. Aqueles que são submetidos a terapia, devido a ação do exercício, tornam-se mais dispostos e através de uma nova dinâmica respiratória adquirida no treinamento passam a efetivamente “sentir menos falta de ar” consciente ou inconscientemente durante suas atividades.

O critério de seleção para o programa é baseado na classificação do Global Initiative for Chronic Ostructive Lung Disease (G.O.L.D): e varia  de I a IV (I-Leve / II-moderada / III-Severa / IV – muito severa) – sendo normalmente indicado a partir da classe III.Todavia, como dito anteriormente, estágios iniciais também podem ser beneficiados.

As sessões normalmente são realizadas 3 vezes por semana com duração de 3 – 4 horas /dia por 6 a 12 semanas. Não são recomendadas para aqueles pacientes com doenças neurólogicas incapacitantes associadas ao DPOC. A musculatura de todo o corpo é trabalhada e não somente grandes grupos musculares. Suporte com oxigênio durante as atividades muitas vezes são benéficos. A equipe é multidisciplinar sendo o coordenador um médico pneumologista acompanhado por fisioterapeuta, enfermemeiro, psicólogo e nutricionista.

Contra-indicações absolutas não existem, cuidados são tomados em relação a eventos cardiovasculares pois sabe-se que pacientes pneumopatas e tabagistas de longa data são mais sujeitos a eventos agudos como Infarto Agudo do Miocárdio. Outra consideração importante é o fato do benefício não se prolongar em definitivo sendo necessária a manutenção das atividades físicas em casa ou mesmo nos centros de reablitação.

Fontes:

1  – Global Initiative for Chronic Ostructive Lung Disease (G.O.L.D);

2 – NEJM Pulmonary Rehabilitation for Management os COPD 2009;360:1329-35;

3 –  Fishman´s Pulmonary Disease and Disorders.

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