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Doenças Crônicas: Pedágio caro para o Brasil, os USA e o Mundo

16 de março de 2012

Doenças Crônicas: Pedágio caro para o Brasil e o Mundo

Caso façamos um exercício ou uma pesquisa sobre os assuntos mais abrangentes relatados pela mídia nacional e internacional em meados de março de 2012, nos deparamos coincidentemente com uma serie de fatos que preocupam de maneira urgente e de modo imediatista a sociedade ( ou a própria mídia): Crise econômica na Europa e Estados Unidos, as viagens dos brasileiros ao exterior, o recorde dos impostos batidos sem cessar pelo governo no Brasil, e violências tanto da vida real e quanto virtual…

Muito raramente tem se observado noticias que irão afetar o nosso cotidiano em 5 ou 10 ou 50 anos.

Há uma busca automática pela mídia de fatos que nos impactaram ou irão impactar nos próximos segundos, minutos, dias, e arriscaria no máximo, nos próximos meses.

A exploração de eventos que irão ocorrer em Intervalos maiores tornam-se cada vez mais raros, a exceção talvez da Copa do Mundo de 2014 e das olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 e da Eleição do próximo presidente dos Estados Unidos entre poucos outros…

Muito embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha feitos inúmeros alertas, um fato que tem passado ligeiramente despercebido são os impactos e as consequências provocadas pelas doenças crônicas tanto no presente como nos próximos 20 anos.

Mas o que é Doença Crônica?

Doenças crônicas constituem prolongadas condições que muitas vezes não melhoram e raramente são curadas completamente.

Há aquelas que são transmissíveis como tuberculose, doença de Chagas, Hepatites, AIDS, etc., e aquelas que são denominadas não transmissíveis ( também chamadas de não comunicantes) e entre as quais se incluem a diabetes, demência, câncer, insuficiência cardíaca congestiva, DPOC ( Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) a asma brônquica.

A crescente incidência de doença crônica é um desafio para os serviços de saúde no Brasil e em todo o mundo.

As doenças crônicas são de longe a principal causa de mortalidade no mundo, representando 63% de todas as mortes. Dos 36 milhões de pessoas que morreram de doenças crônicas em 2008, nove milhões tinham menos de 60 anos e noventa por cento dessas mortes prematuras ocorreram em países de baixa e média renda.

 No Brasil 72% de todas as mortes foram atribuídas a doenças não transmissíveis em 2007.

Nos próximos 10 anos a OMS projeta um aumento de 22%  totalizando 10 milhões de mortes causadas por doenças crônicas não comunicantes no Brasil, sendo as doenças cardiovasculares a sua maior causa. Morbidade e mortalidade por doenças não transmissíveis são maiores na população mais pobre. As causas mais frequentes associadas às doenças crônicas no Brasil estão listadas na figura 1.


Fig 1- Mortes projetadas por doenças crônicas no Brasil. Adaptado de OMS, NCD Country Profiles 2011.

  -Por que as doenças crônicas têm um impacto tão grande na saúde?

As Doenças crônicas têm um efeito profundo sobre o desenvolvimento físico, emocional e bem-estar mental dos indivíduos, muitas vezes tornando difícil continuar com as atividades diárias normais e relacionamentos. Isto implica em custos severos pessoais com alto impacto para a saúde  que se associa a custos econômicos, uma vez que estão associados a absenteísmo trabalhista, geram licenças médicas que implicam em afastamento temporário ou mesmo permanente do trabalho gerando aposentadorias precoces e, portanto queda no índice de produtividade do país.

Quais os fatores de risco? Como reduzir os riscos de ocorrência de doenças crônicas?

 Os fatores de risco para as doenças crônicas estão associados tanto a características genéticas quanto a critérios adquiridos como os hábitos alimentares como a quantidade de legumes, e frutas (fibras) consumidos, concentração de sódio (sal), de gorduras, gorduras trans (industrializada), e comportamentais como o uso de derivados do tabaco por exemplo.

É preciso lembrar que todos os processos alimentares industriais que geraram ganhos em escala adotados nos séculos 19 e 20, adotaram praticas que elevaram desde as quantidades de pesticidas e agrotóxicos para a produção de alimentos até os índices de gorduras, de sal, açúcar, e de outros conservantes alimentares, muitos de origem artificial. Adoçantes e flavorizantes artificiais se seguiram mais recentemente a introdução por parte da industria alimentar do uso de gorduras modificadas denominadas gorduras trans que aumentam não apenas a crocrância e a durabilidade dos alimentos, mas estão intimamente associadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares – Não sendo por isso, permitido mais seu uso em países escandinavos e no Canadá por exemplo.

No entanto, é preciso esclarecer que em muitos casos, os resultados de saúde podem ser melhorados, dependendo do acesso preventivo e precoce a diagnósticos e à serviços médicos apropriados, garantia de tratamento terapêutico, acesso a informação e possibilidade de escolhas individuais que incluem desde a prática de exercícios diários, a proteção de ambientes públicos livres de tabaco (doenças pulmonares crônicas, cânceres) e uma alimentação mais saudável, com por exemplo baixos índices de sódio, ausência total de gorduras trans em alimentos ( doenças cardiovasculares) e a criação de instituições idóneas que meçam os índices da quantidade de agrotóxicos ( associados a cânceres), em partes por bilhão(ppb.) e mesmo por trilhão (ppt.) compatíveis com as exigências da FAO (órgão da ONU responsável pelo controle  da produção de alimentos) e de outros órgãos reguladores europeus e  americanos como o USDA e o FDA.

O Pedágio cobrado pelo Tabaco no Brasil e no Mundo

Entre as doenças crônicas não transmissíveis, vale ressaltar que entre as três maiores causas evitáveis, duas são ocupadas pelo uso de derivados de tabaco. O tabagismo ativo em primeiríssimo lugar seguido na segunda colocação pelos acidentes automobilísticos e na terceira posição pelo tabagismo passivo ou secundário.

É preciso lembrar que o  tabagismo por si só é considerado uma patologia que possui um CID (Código Internacional de Doença) próprio para designá –la, o F17.2. O tabagismo responsabiliza-se pela geração de 52 outras doenças, de maneira que pode-se ilustrar o seu poder de dano ao constatar, ser o principal causador das doenças não comunicantes, provocar 30% de todas as mortes por câncer, inclusive o câncer de pulmão, líder de óbitos desta patologia tanto entre homens quanto em mulheres nos Estados Unidos e no Brasil; E responsabilizar-se por 80% dos óbitos da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), popularmente conhecida como enfisema pulmonar e bronquite crônica.

Pedágio Caro Cobrado em Vidas:

  •  Uso de tabaco matou 100 milhões de pessoas no século 20. Se as tendências atuais continuarem, o tabaco matará um bilhão de pessoas no século 21.
  • O tabaco mata no mundo mais de 5 milhões de pessoas por ano e responde por um em cada 10 mortes entre os adultos.
  • O tabaco matará mais de 8 milhões de pessoas no mundo anualmente até o ano de 2030, com 80 por cento dessas mortes em países de baixa e média renda.
  • O fumo passivo mata mais de 600.000 pessoas em todo o mundo a cada ano, incluindo 165.000 crianças.
  •  A produção de tabaco provoca danos ao meio ambiente por usar agrotóxicos em demasia, poluir e inutilizar os lençóis freáticos, além de desviar terrenos agrícolas que poderiam ser usados para produzir alimentos.

Pedágio no Brasil:

Os custos com o tabaco no Brasil, segundo estudo do Banco Mundial realizado levando em consideração as internações hospitalares associadas ao tabagismo ocorridas no SUS entre 1996 a 2005, giram em torno de Us$ 500 milhões de dólares.

Aproximadamente R$ 340 milhões (Reais) é gasto apenas com internações para os casos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias atribuíveis ao tabagismo. Soma que equivale a quase 30% dos custos hospitalares totais do SUS para o tratamento dessas enfermidades.

Lembre: Isto decorre do fato do tabagismo estar relacionado a tipos de patologias diferentes, gerando outros 52 códigos internacionais de doenças. Por isto, o fumo leva a um número de óbitos de cerca de 200.000 pessoas por ano no Brasil, matando mais que a Malária, a Varíola e a AIDS juntas, segundo dados do  INCa e do Ministério da Saúde.

Recentemente o IBGE revelou que o número de fumantes no Brasil é de 24,6 milhões, e destes 81,3% (20 milhões), estão acima de 18 anos. E segundo o Datafolha há em relação ao cigarro uma opinião favorável ao aumento de impostos, com 63% da população acenando favoravelmente, e 88% concordam que impostos pagos pela indústria deveriam ir para o setor de saúde, podendo constituir uma solução para o não retorno da impopular CPMF, e ao mesmo tempo equilibrar o orçamento governamental.

Em 2011 o governo brasileiro adotou finalmente uma medida histórica para proteger a saúde pública de mais de 190 milhões de brasileiros ao promulgar uma lei de controle abrangente do tabaco. Assinado pela presidente da república, a nova lei tornou o Brasil o maior país do mundo completamente livre do fumo ativo e passivo.

Entrementes, vale ressaltar que outros ajustes ainda são necessários como a proposição para se proibir venda de cigarros em perímetro escolares, popularizar a espirometria – teste para avaliar a função pulmonar e que permite diagnósticos mais precocemente da DPOC ( o popular “teste do sopro”) assim como uma maior vigilância para coibir a venda avulsa do produto, o que poderia em muito melhorar a proteção junto a crianças e adolescentes. Afinal, a nicotina comprovadamente é a droga que provoca mais mortes no mundo e é diretamente responsável por mais de 90% dos casos de câncer de pulmão, doença com prognóstico ruim e extremamente letal.

Com relação as doenças crônicas algumas soluções podem ser apontadas como sugestões e serem adotadas não apenas pelo poder publico, mas que devido ao grande ganho que podem proporcionar tanto em saúde como em termos de produtividade econômica,  deveriam ser obrigatoriamente do conhecimento e perseguidas pelos administradores de planos de saúde privados e pelos empresas e industriais brasileiros como a OGX, Gerdau, Embraer, Azul Linhas Aéreas, FiESP, os Sinduscon  etc.:

  1.  Que pelo menos 80% das doenças cardiovasculares, derrames cerebrais e diabetes mellitus tipo 2; e 40% dos casos de cânceres poderiam ser previniveis ao se incentivar uma dieta saudável, a prática de exercícios regulares, e evitando-se o uso de todos derivados do tabaco como por exemplo cigarros ou Narguilé;
  2. Que a OMS estima que se houvesse uma redução adicional de 2% no numero de mortes por doenças crônicas no Brasil, nos próximos 10 anos, isto permitiria ao país um ganho econômico de 4 bilhões de dólares – dinheiro este que poderia ser aplicado em Saúde e educação.  Oque possibilitaria eliminar assim o pior peso que uma terra pode suportar que é a ignorância.

FONTES:

OMS – Organização Mundial da Saúde;

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